POR QUE VOU À IGREJA

“A Igreja está cheia de pessoas imperfeitas”… “Não preciso ir à igreja. Tenho minha Bíblia, sei orar. O importante é meu devocional!”… “Estou fugindo da religiosidade e hipocrisia dos templos, mas amo a Jesus Cristo!”…

Muitas são as justificativas usadas por crentes que deixaram de congregar em uma igreja. Todos acreditam em suas próprias explicações, ou, simplesmente, postergam o pensamento de uma possível volta.

Do outro lado, temos os crentes que vão à igreja em todos os dias de culto, participam de tudo, mas nunca sistematizaram uma resposta sobre o porquê de tudo isto, ou sobre a real necessidade disto. Fazem, porque é bom!

Hoje, nossa postagem vai mostrar seis questões que devem nos motivar, como Corpo de Cristo, a vivermos esta comunhão. 

Repita à você mesmo esta pergunta: “Por que vou à igreja?”, ou, “por que não vou à igreja?”, leia este texto, e mude ou fortaleça as suas opiniões.

Uma ótima leitura!

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POR QUE VOU À IGREJA

Nos últimos anos, alguns cristãos têm levantado vários questionamentos com relação à frequência a uma igreja, nos moldes em que ela está sendo conduzida. Alguns chegam mesmo a fazer forte resistência à participação nos cultos. Não lhes nego certa dose de razão. Em certos setores, de fato, temos visto alguns desvios inaceitáveis. Em outros, porém, a forma bíblica ainda está sendo respeitada.

Tempos atrás, li um livro que aborda essa questão até de forma bem inteligente. Embora os autores não procurem propriamente aplaudir aqueles que abandonaram a igreja – se minha “leitura” dele tiver sido correta – parece-me que apresentam justificativas para eles. E a principal delas são os erros da liderança. Até podemos entender o sentimento de frustração que toma conta do cristão que espera ver santidade por parte de seus líderes, mas se decepciona ao ver corrupção. Entretanto, ainda estou convencida de que temos muito mais razões para ir à igreja do que para não ir.

Pensando sobre o assunto, perguntei a mim mesma: “Por que ainda gosto de ir à igreja?” E a resposta que me veio à mente até me surpreendeu. É que, além de ouvir a exposição da Palavra e cultuar a Deus na comunhão com os irmãos – nossos principais interesses – percebi que tenho diversos motivos justos para não abandonar minha congregação. Gostaria aqui, então, de passar essa reflexão ao leitor, orando para que ela possa trazer alguma edificação para alguém.

1. Vou à igreja porque a Bíblia ensina que “fomos batizados em um corpo” (1 Co 12.13). É claro que isso é uma referência ao corpo místico de Cristo, e não a um grupo específico. Entretanto, onde quer que nos reunamos como irmãos, somos todos membros desse Corpo. E, como membros, temos funções a exercer, quer sejam dons ou ministérios. Se eu não estiver ligada aos outros membros, obviamente, não poderei fazer a minha parte. Assim, temos a oportunidade de abençoarmos uns aos outros. Como iremos praticar os mandamentos de mutualidade – “Amai-vos uns aos outros”, etc. – se não estivermos próximos de outros irmãos?

Recordo-me de uma ocasião em que, durante várias semanas, estive preocupada com uma situação delicada por que passava. Certo domingo, ao final do culto, aproximou-se de mim uma irmã que, tenho certeza, desconhecia esse meu dilema. Ela me contou que havia sonhado comigo, e no sonho alguém dissera algo a meu respeito, e repetiu a frase que ouvira. O que ela disse achava-se diretamente

ligado ao problema que estava me inquietando no momento. Na mesma hora, entendi que aquilo era uma mensagem de Deus para mim, com o objetivo de me tranquilizar.

Voltei para casa bastante reconfortada e a partir daí não me preocupei mais. E realmente, aquilo que eu temia não aconteceu. Deus estava cuidando de tudo e usara a palavra daquela irmã para me fortalecer.

Eu certamente não teria recebido aquela bênção se estivesse desligada da comunhão com os irmãos.

2. Vou à igreja porque não vou apenas para receber. Concordo que é muito justo que alguém queira participar de um culto ou reunião para “buscar uma bênção”. Todos nós, apesar de sermos nascidos de novo e de termos o Espírito Santo, continuamos a enfrentar lutas. Nada mais natural do que desejar procurar uma resposta no lugar onde se fala de Deus, onde se estuda ou se prega a Palavra que, acreditamos, contém todas as soluções.

Entretanto, mesmo tendo tais necessidades, podemos contribuir para abençoar outros. Nem é necessário que tenhamos um cargo ou desempenhemos uma atividade especial. Basta estarmos participando do louvor conjunto, por exemplo. Além disso, oramos por alguém, demonstramos apreço por outrem. Muitas vezes, um sorriso, um abraço, um cumprimento alegre são suficientes para se comunicar senso de aceitação a uma pessoa solitária. Existem irmãos mais simples que valorizam tremendamente o pouquinho de atenção que lhes damos. Em suma, nossa presença tem grande relevância, senão para todos, pelo menos para alguns.

Jesus disse que “melhor coisa é dar do que receber”. Quem se dispõe a dar dessa forma, recebe muito mais em troca.

Então, outra razão por que vou é para “abençoar” alguém. E sempre há alguém a quem podemos transmitir uma bênção pela nossa presença num culto.

3. Uma terceira razão por que vou à igreja é que gosto de estar junto de pessoas que têm os mesmos sentimentos e pensamentos. No mundo, muitas vezes, estamos rodeados de indivíduos que não amam a Deus, não respeitam sua Palavra, não querem nada com o Senhor. Alguns até chegam a depreciar nossa fé e a nos olhar como “seres inferiores”. Nossa alma fica sequiosa pelas coisas espirituais. Na igreja, isso não acontece. Sabemos que pelo menos alguns dos que vão ali estão desejosos de conhecer mais o Senhor, de louvá-lo, de ouvir falar dele. Entendemos que ali não seremos rejeitados, nem depreciados por nossa fé. Estamos numa mesma “sintonia” com os outros. Isso comunica uma grande satisfação ao nosso espírito. E saímos edificados.

Nós vamos a shoppings, cinemas, teatros, estádios, lugares onde não existe a menor intenção de se adorar a Deus. Pelo contrário. Num estádio, por exemplo, é mais comum ouvirmos palavrões do que louvores (a não ser em ocasiões de reuniões do povo de Deus, claro). Alguns filmes, novelas e peças teatrais costumam menosprezar Jesus e sua igreja. Quase sempre apresentam o casamento (uma instituição divina) de forma debochada. Por que ainda vamos a lugares como esses, em que o sentimento e pensamento geral são contrários ao Senhor, mas não queremos ir a um local de culto? É uma opção, no mínimo, incoerente para um cristão.

4. Vou à igreja também porque os irmãos de países onde o evangelho de Cristo é reprimido não podem ir. À primeira vista, esse argumento pode parecer banal, mas pensemos um pouco. Frequentar uma congregação é um alto privilégio. Aqui no Brasil, temos liberdade de ir e vir, de carregar nossa Bíblia, de louvar a Deus em alto e bom som – até com acompanhamento de uma “bateria”. Há países onde os irmãos são obrigados a cantar os hinos sussurrando. Possuir um exemplar da Palavra é visto como um crime passível de condenação à morte. Na verdade, precisamos até agradecer muito a Deus pela liberdade de que gozamos. (E quem sabe até quando a teremos?) Então, por que não usufruir ao máximo desse privilégio?

Por vezes, sinto vergonha quando me lembro de que há milhões de cristãos que gostariam de ir a um templo, mas não podem, ao passo que eu, que posso, às vezes, fico em casa. Ouvi dizer que na China e em outros lugares, em algumas congregações, os cultos têm duração de quatro ou cinco horas e até mais. Nós, porém, ficamos impacientes se o nosso passa de duas. Que falta de amor pelas coisas de Deus!

5. Ainda outra razão por que vou à igreja é que Jesus ia. E se há uma pessoa que poderia perfeitamente dispensar essa prática é o Senhor. E, no entanto, sempre que ele se encontrava em Jerusalém, seguia para o templo. Ficava ali ensinando, curando enfermos, falando do Pai e uma vez até expulsou de lá algumas pessoas que depreciavam aquele lugar santo. (Veja Mateus 21.12,14, 23.) Quando ele estava na Galileia ou em outras regiões, costumava frequentar a sinagoga local. E uma vez lá, não perdia oportunidade de exercer seu ministério.

Agora observemos um detalhe: quem eram os líderes religiosos daquele tempo? Quem praticamente liderava os serviços no templo e nas sinagogas? Os escribas e fariseus. E, pelo que dizem os Evangelhos, eles eram os que apresentavam as maiores falhas no que diz respeito às coisas espirituais. O Senhor poderia ter argumentado que não iria mais ao templo ou à sinagoga porque a liderança era corrupta. Mas o que ele fazia? Estava sempre presente. É que ele tinha um ministério a cumprir ali. Sabia que o povo precisava receber a verdade divina. E cumpriu-o fielmente.

Cada um de nós tem seu ministério no Corpo de Cristo. E, por mais simples que ele seja, precisamos exercê-lo com alegria. Vamos seguir o exemplo do Senhor Jesus que exerceu o dele.

6. Em último lugar, vou à igreja porque existe um mandamento explícito nesse sentido. Encontra-se em Hebreus 10.25: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns”. Dizem os estudiosos que aqueles irmãos estavam deixando sua congregação por temor de perseguição. Se eles, que estavam correndo o risco de serem presos, receberam a ordem para não deixar de frequentar sua congregação, quanto mais nós. Se o Senhor permitiu que essa ordenança chegasse aos nossos dias, ele deve ter tido um propósito bem definido nisso. E é tudo para nosso benefício, nosso crescimento espiritual.

Eu poderia alinhavar ainda outras razões por que vou à igreja, mas creio que essas são as principais.

Para concluir, preciso fazer aqui uma ressalva. Reconheço que a igreja não é perfeita; nenhuma congregação o é. Lembremos, porém, que ela é constituída de seres humanos, e depois disso não precisaremos dizer mais nada. O fato de afirmarmos que somos salvos não significa que nos consideramos isentos de falhas. Pelo contrário; é exatamente por reconhecermos que somos pecadores que entendemos nossa necessidade da graça de Deus para nos salvar. E como ele já nos estendeu sua graça, mediante nossa fé, podemos ver-nos na condição de salvos – não de seres perfeitos. Aliás, é exatamente por isso que a Bíblia contém ordenanças como “Suportai-vos uns aos outros” (Cl 3.13).

Certa vez, ouvi dizer que uma senhora não crente, criticando a igreja que seus familiares frequentavam, comentou:

“Aquela igreja está cheia de gente problemática!”

E ela tinha razão. A igreja está mesmo cheia “de gente problemática”. São pessoas que vão ali em busca de cura, de soluções. E existe ambiente melhor para se buscar alívio para o sofrimento? Que outro lugar nos ensina a crer firmemente em Deus e em sua Palavra? Onde ouviremos que o perdão – tanto o de Deus para nós, como o nosso para outros – tem poder curativo? É para um hospital mesmo que vão os “doentes” e o hospital dos “enfermos espirituais e emocionais” é a igreja cristã. Como disse alguém, a igreja deveria ser “uma comunidade terapêutica”.

Portanto, se temos de conviver com “doentes” na igreja, precisamos nos armar de paciência e de muito amor e procurar ajudar-nos mutuamente. E, na verdade, mesmo esses “doentes” e “problemáticos” não se acham totalmente incapazes de dar sua contribuição, ainda que menor, para o “crescimento do corpo” (Ef 4.15,16). Aliás, cremos até que essa interação cristã certamente pode operar milagres.

 “Não deixemos de congregar-nos.”

Autor: Myrian Talitha Lins

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