Quem Precisa de Deus? Jeremias MacAuley X John Wesley

Um Homem Perverso e Um Homem Bom

Jeremias MacAuley 

Era um homem perverso. Era ladrão, blasfemo, beberrão, um rejeitado da sociedade e, por fim recluso de penitenciária. Certa noite em sua cela Jeremias voltou-se para Deus: confessou seus pecados, confiou em Jesus Cristo para a salvação e foi transformado de um momento para outro. Mais tarde tornou-se missionário aos abandonados e marginais de Nova Iorque. Ninguém senão o Senhor Jesus podia ter socorrido um homem como Jeremias MacAuley.

João Wesley

Era um homem bom. Teve a bênção de um excelente lar. Sua mãe ensinava os filhos a lerem a Bíblia e a orarem. Seu pai, seu avô e seu bisavô foram pastores evangélicos. João assistia à igreja com assiduidade e se orgulhava de ser “melhor” do que a maioria dos homens. Orava, lia com regularidade sua Bíblia, chegou mesmo a organizar reuniões de oração quando era estudante. Foi ordenado ao ministério e tornou-se missionário aos índios americanos. Entretanto João Wesley jamais havia nascido de novo, mesmo com toda sua bondade. Havia em sua vida um vazio; ele “procurava alguma cousa.” Certa noite na Inglaterra, João encontrou aquilo que seu coração anelava. “Senti que confiei em Cristo somente para salvação; recebi a convicção de que Ele removera meus pecados, sim meus, e me salvara da lei do pecado e da morte.” Verificara que gente boa também precisa da experiência do Novo Nascimento à qual se refere o capítulo três do Evangelho de João – tanto quanto os maus.

Mensagem da Cruz, 1966.

 

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Chicletes no Cabelo! – ALLAN McLEOD

Pastor Allan McLEOD, junto de sua esposa Joana, colaboraram com a Missão Evangélica Betânia no Brasil, por 44 anos. Infelizmente ele não está mais conosco, porém, felizmente, ele se encontra na companhia de nosso Salvador!

Muito querido e admirado, por onde passava, transmitia a paz de Cristo.

Mesmo não estando mais nesta terra, existe algo em seu legado, que ainda poderá ser aproveitado por muito tempo, a saber, suas ministrações expressas em seus artigos. A postagem de hoje é uma destas. Um profundo artigo, escrito com clareza, e publicado em 1977.

Uma ótima leitura!

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Chicletes no Cabelo! – ALLAN McLEOD

“Aiiiii! está doendo!” reclamou Davi, enquanto procurava tomar o pente da minha mão. “Deixe que eu mesmo dou um jeito.”

“E o que você queria?” repliquei. “Seu cabelo está todo empastado de goma de mascar! Espere aí que vou buscar uma tesoura. Não pode ir para a escola assim.”

E a esse diálogo sucedeu-se um período de tosquia mesclado das reclamações de meu filho.

Alguma vez já aconteceu de você gritar quando Deus está arrancando o chicletes que ficou empastado nos “cabelos” de sua vida espiritual? “Senhor! está doendo demais! Nãaaaaaaaaaao! Deixa assim mesmo. Ninguém vai notar. Aiiiii! não precisas puxar com tanta força!”

“Mas você não pode ir para o céu desse jeito”, é a resposta do Senhor. E ele então pega da “tesoura”. “Fique quieto que vou pôr em ordem essa bagunça toda.”

Fico impressionado de ver quanta goma de mascar Deus consegue achar empastada no meu cabelo. Isso sem falar nos fios embaraçados. E cada dia ele aparece com um pente mais fino!

A goma de mascar e os cabelos. O pecado e os santos. Conjuntos incompatíveis? Sim; mas, naturalmente, meu filho não acha que um pouco de chicletes no cabelo é uma ofensa tão grave quanto o seria sujar-se de barro dos pés à cabeça. Tampouco nós, os crentes, normalmente concordamos que um pouco de impaciência ou de raiva sejam tão indesejáveis aos olhos de Deus quanto um homicídio. Nesse caso, quem deve estabelecer o padrão daquilo que é ou não aceitável? O Davi ou eu, seu pai? Nós ou Deus? Em nosso lar os pais têm essa prerrogativa. Em conseqüência disso, nossos filhos têm que se submeter a certas “torturas” como: pentear o cabelo, lavar o rosto, cortar as unhas e escovar os dentes – tudo por causa de algum padrão tolo dos adultos. Essa atitude lembra alguma coisa? Não seria ela muito semelhante à que muitas vezes demonstramos em relação ao padrão divino “Sede santos porque eu sou santo”?

Deus “me chamou”, disse Paulo aos gálatas, e lhe “aprouve revelar seu Filho em mim”. Essa é uma das mais concisas declarações quanto

ao propósito de Deus para o homem, encontradas na Bíblia. Que maravilha! Mas, espere um pouco; se é necessário que o Filho seja revelado, é sinal que ele não deve estar brilhando tão intensamente assim em nossa vida. E por que não está? Será que é porque a nossa própria imagem, com toda a sua simulação de bondade, está empanando o brilho da imagem de Cristo em nós? Não seria o caso de o Espírito Santo estar operando em nossa vida, afastando as nuvens da carnalidade para que o “Sol da Justiça” brilhe sem impedimento neste mundo sombrio?

Estamos por demais acostumados com Romanos 8.28. Até mesmo recém-convertidos com poucos meses de convívio cristão já sabem

 esse versículo de cor. Mas, quem crê nesse texto o suficiente para não soltar um forte “aiii” quando Deus permite que uma das “todas as coisas” aconteceu? E quantos seriam capazes de dizer de cor o versículo 29, que explica o porquê de Deus estar sempre passando os seus “pentes” em nosso cabelo?

Paulo tinha condições de dizer aos cristãos de Roma: “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.” E nós? Será que sabemos mesmo? Será que o Senhor tem mesmo um propósito ao nos submeter à operação “pente fino”? Ou seria ele exigente demais, conto meu filho Davi pensa que sou?

“Chamados segundo o seu propósito.” Que propósito? Sermos “conformes à imagem de seu Filho”. Sermos como Jesus. Termos consideração pelos outros, sermos obedientes aos nossos superiores, não procurarmos nos impor, sermos agradáveis como ele o foi. Mas nada disso deve acontecer por imitação. Não! Mil vezes não. Nada de nos desdobrarmos em tentativas de imitar a Jesus. Não é pela imitação, mas pela revelação. Não pelo nosso esforço próprio, mas através do poder transformador divino. É Deus quem opera isso. É ele quem desembaraça nosso cabelo e corta fora a goma de mascar que o empasta. para que o mundo possa ver uni pouco de Jesus em nós.

Geralmente não temos consciência dos embaraços causados pelo orgulho, nem da goma de mascar do egoísmo, nem dos nós da crítica destrutiva. da calúnia, da inveja e da amargura, enquanto Deus não começa a passar neles o pente de sua Palavra, ou a cortá-los com a tesoura das circunstâncias adversas. Então derramamos lágrimas de justiça própria e, assim como Pedro quando Deus deixou que o diabo o provasse em sua peneira (Lc 22.31), logo damos as costas ao arado e nos dirigimos aos antigos pontos de pesca.

Quem mora nas regiões cafeeiras está bem familiarizado com o uso da peneira. O pessoal das fazendas de café usa unia peneira grande para separar os grãos de café das folhas, dos torrões de terra e de outros elementos. Fazem isso peneirando e lançando ao ar o conteúdo da peneira. O vento vai tirando as impurezas até que ficam só os grãos de café, já limpos.

Coitado de Pedro, se foi isso o que ele teve que suportar! mas, no final, ele saiu bem mais limpo.

Todas as coisas cooperam para o bem? Mesmo o passar pente em cabelos embaraçados, ou o cortar a parte empastada de chicletes, ou o peneirar folhas secas e torrões de terra? Nada disso é agradável. Mas, se cada passo tira um pouco mais do eu e revela um pouco mais de Jesus, então…

“Continua a manejar o pente, Senhor, porque não quero ir para o céu do jeito que estou.”

Autor: Allan McLEOD

Fonte: Mensagem da Cruz, 1977.

 

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PROCURA-SE: HOMENS DISPOSTOS A DAR A CRISTO O CORAÇÃO E A VIDA

Será que temos nos entregado completamento ao Senhor? O resumo da história de Thomas Waring nos fará refletir a este respeito. Acompanhemos então, este belíssimo relato de fé e obediência!

Uma ótima leitura!

Um sério desafio à dedicação integral à obra missionária…

No local onde hoje existe o Albert Hall, em Londres, havia antigamente um grande auditório, denominado Crystal Palace.

Certa vez, um evangelista estava realizando nesse salão conferências evangelísticas. Numa das noites, quando estava encerrando a mensagem, disse:

- Agora vou fazer um apelo bastante singular. Quero pedir a todos que desejarem entregar o coração a Jesus, que se ajoelhem aqui; mas quero pedir que além de dar seu coração, entreguem a ele também a vida.

Lá no fundo do salão, ergueu-se um jovem de nome Thomas Waring, filho de um rico comerciante. Chegando à frente, ele ajoelhou-se perante todos e fez a seguinte oração: “Senhor, como tu me amaste tanto, ao ponto de se dar por mim, o mínimo que posso fazer é entregar-me inteira e totalmente a ti.”

E Deus ouviu essas palavras de Thomas, e assim como dissera a Saulo de Tarso “Eu te escolhi”, disse também a Thomas Waring: “Eu te escolhi para ir à Africa.”

- Está bem, Senhor, irei para a África, prometeu o jovem.

Naquela noite, ao voltar para casa, Thomas contou ao pai a decisão que fizera. O pai teve um acesso de fúria e disse:

- Dou-lhe uma semana para tirar essa ideia da cabeça.

Mas depois pôs-se a argumentar com o filho:

- Ouça, meu filho, venho preparando você para tomar meu lugar à frente do meu negócio. Daqui a algum tempo, seu nome será gravado na porta em letras douradas. Se você está preocupado com a salvação daquele povo na África, posso mandar não um, mas doze missionários para lá  e sustentar todos eles ali. Prometo que sustentarei todos eles enquanto viverem; mas você não pode ir.

O rapaz escutou atentamente e pensou: “Isso me parece sensato. Doze missionários serão melhores que um só.” Mas quando se ajoelhou para orar, Deus lhe disse: “Não lhe falei nada sobre dinheiro ou missionários. Quero você.”

- Está bem, Senhor, replicou o rapaz; então serei eu.

Mais tarde o pai de Thomas Waring o deserdou, e o moço viajou para a Africa e lá permaneceu cinqüenta anos, sem gozar férias. Conta-se que o sol da África queimou sua pele de tal forma que ele ficou quase tão escuro quanto as pessoas para quem pregava; seu cabelo era branco como a neve e sua longa barba branca lembrava a de um patriarca.

 “Da-me mais seis meses de vida…”

Certo dia, quando já estava velhinho, ele entrou em sua casinhola nativa sabendo instintivamente que a morte se aproximava e foi conversar com seu Mestre, dizendo:

- Senhor, tu me conservaste aqui durante cinqüenta anos, e agora está na hora de eu ser levado ao lar celestial. Mas, antes disso, será que podes conceder-me mais seis meses dos que passarei na eternidade? Dá-me seis meses de vida, e depois direi: “Agora, deixa teu servo partir em paz.”

E Deus lhe deu aqueles seis meses. Thomas voltou à Inglaterra. Ali chegando, viu que o velho prédio, o local onde ouvira seu chamado, fora demolido, e estava ali o Albert Hall. Resolvido a fazer um último apelo em favor do trabalho na África, para que outros obreiros fossem ali continuar a obra, Thomas publicou anúncios nos jornais, dizendo que o filho de um rico comerciante da cidade, que fora deserdado pelo pai, estava de volta à sua terra, após ter passado cinqüenta anos na África, e iria falar ao público no Albert Hall.

Na noite marcada para a conferência, o auditório estava lotado. Já velhinho e enfraquecido, Thomas Waring, apoiando-se no púlpito, pregou com tal emoção que o coração de seus ouvintes foi tocado. Ao fazer o apelo, disse:

- Quero apelar a oito jovens que se disponham a dizer ao Senhor: “Jesus, se tu me chamares, irei.” Quero que deem ao Filho de Deus não apenas o coração, mas também a vida.

E Deus falou ao coração de oito pessoas, dentre as que tinham ido à frente, para trabalhar na Africa. E o velho pregador impôs as mãos sobre aqueles oito e os abençoou, consagrando-os para o ministério numa terra a muitos e muitos quilômetros dali. Em seguida, ele ergueu as mãos e pronunciou uma frase memorável:

“Se eu tivesse mil vidas eu as daria todas pela África.”

Alguns dias depois, Thomas Waring viajou para a Africa com aqueles oito jovens, de volta à terra para a qual fora chamado. Duas semanas após sua chegada à sede de seu trabalho missionário, ele entrou em seu quarto e sentou-se. Ali, com a Bíblia aberta sobre os joelhos, ele caiu no sono; dormiu na terra e acordou na glória. Completara a obra que Deus o chamara a realizar. E o trabalho na África iria continuar.

Fonte: Extraído com permissão de Floodtide e publicado pela revista Mensagem da Cruz, em 1985.

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