Perdoar ou Adoecer

Hoje, todos nós sabemos que seria impossível separar corpo, alma e espírito. Não há possibilidade de um estar alheio ao que acontece ao outro. Quando a nossa alma não vai bem, o nosso corpo nos avisa! Quem vai nos falar um pouco mais sobre este assunto, é o pastor George Foster. O tema específico será o perdão, ou melhor, a falta dele e as consequências disto!

Ao ler esta postagem, além de entender melhor o que acontece com nosso corpo quando não perdoamos, você poderá responder algumas perguntas de um questionário que o ajudará a saber se você ainda guarda algum tipo de rancor.

Por que adoecemos por não perdoar? Será que já perdoei? Como faço para perdoar? Descubra agora em: Perdoar ou Adoecer

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.” (Sl 32.3.)

 “Sabe de uma coisa? Estou enjoado de você!”

Quantos de nós por vezes ficamos tão chateados com alguém que lhe dizemos palavras duras como essas! E elas podem mesmo corresponder à realidade; sentimo-nos enjoados, doentes. A raiva e o rancor podem realmente nos deixar doentes.

Nós não fomos criados para transgredir os princípios de Deus. Ah, reconheço que todos somos perfeitamente capazes de transgredi-los. Mas o fato é que nem nosso corpo nem nossa alma suportam as consequências dessa transgressão. Fomos criados “por modo assombrosamente maravilhoso”, como afirma o salmista (Sl 139.14), e por isso podemos suportar uma pesada carga de pressões e trabalho. Mas não possuímos forças emocionais, nem físicas, nem mentais para carregar os fardos da culpa, da amargura e do rancor. Eles são demasiadamente pesados para nós.

Quero narrar outra ilustração que ouvi do pastor Ted Hegre. Ele contou que, certa vez, quando estava no Nepal, conheceu um homem que sofria de artrite. Esse nepalês confessou que guardava ressentimento de uma pessoa que o ofendera muito, havia alguns anos. Mas tão logo reconheceu seu pecado e perdoou àquele indivíduo, foi curado. Mais tarde, a enfermidade voltou, e ele procurou o pastor.

“Pastor; preciso perdoar a uma outra pessoa, mas está sendo muito difícil. Ore por mim, para que eu consiga confessar a Deus meu rancor; e possa perdoar a essa também.”

Certo psiquiatra afirmou que se os pacientes das instituições mentais pudessem ter certeza de que estavam perdoados, a maioria deles poderia receber alta. E uma boa porcentagem dos que ficassem poderia voltar para casa se se dispusessem a perdoar a outros. Isso acontece porque Deus nos criou para vivermos em comunhão com ele, com outros e com nós mesmos. A raiva, o ódio, o ciúme e a amargura destroem nossos relacionamentos, e geram sofrimento interior. E muitas pessoas, para evitar o sofrimento, fogem da realidade. Inúmeros distúrbios mentais como isolamento, depressão e tantos outros, podem ser curados pelo perdão e amor.

Precisamos entender o quanto é absurda e destrutiva a atitude de guardar rancor. Jesus nos dá o seguinte aviso: “Aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento” (Mt 5.22). Ele quer que perdoemos aos outros para o nosso bem! Em Mateus 18, Jesus narra uma história dramática para demonstrar como é temerário recusarmo-nos a perdoar; depois de já termos sido perdoados. Eis o que ele disse:

“Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.” (Mt 18.23-35.)

Totalmente Falido

Não parece estranho que um fato assim possa suceder? Como é que um homem que foi perdoado de uma dívida tão elevada se recuse a perdoar um débito insignificante? E já que estamos fazendo perguntas, quanto tempo você levaria para saldar uma dívida de dez milhões de dólares? De quantas vidas você precisaria para liquidá-la? E se conseguisse um bom preço por seus filhos, quantos deles precisaria vender?

Nessa história, Jesus fala de uma cifra astronômica para demonstrar que aquele débito nunca poderia ser pago. É como a nossa salvação – nunca teríamos condições de pagá-la. Por mais que pagássemos, nunca conseguiríamos saldar a dívida. Mas, por incrível que pareça, o servo devedor não se dispôs a reconhecer que se encontrava totalmente falido. Observemos que ele não pediu para ser perdoado; pediu mais prazo para conseguir o dinheiro.

Não tinha riquezas, nem amigos influentes, mas orgulho ele tinha. (Uma coisa é admitir que cometemos um erro, e outra bem diferente é confessar que estamos completamente falidos.) E foi esse orgulho que o impediu de pedir perdão ao seu senhor. Mas, para felicidade dele, o credor compreendeu que ele nunca poderia saldar a dívida, e perdoou tudo.

Muitos de nós agem assim com relação ao perdão dos pecados. Achamos que podemos fazer alguma coisa para liquidar nosso débito com Deus, embora na verdade não possamos fazer nada. Tornamo-nos religiosos e depois nos orgulhamos disso, a ponto de considerar-nos muito justos. Estou cada vez mais convencido de que é essencial que compreendamos que nos achamos totalmente falidos diante de Deus, à mercê de sua misericórdia.

No momento em que aquele devedor teve sua dívida anistiada, deveria ter-se sentido o homem mais feliz do mundo. Seu coração deveria ter ficado exultante, transbordando generosidade. Mas isso não aconteceu. Continuou avaro, hostil e rancoroso. Fora perdoado, mas não liberto. Livrara-se de uma prisão física, mas carregava interiormente uma prisão que ele próprio criara. E como estava preso, não deixaria mais ninguém livre. Ao encontrar um conservo que lhe devia cem denários, agarrou-o pelo pescoço, e exigiu que lhe pagasse imediatamente. Como o outro não pudesse pagar, atirou-o na prisão.

Como é que um homem que fora perdoado podia abrigar tanto rancor no coração? Ele não entendeu absolutamente nada sobre o perdão.

É possível que:

 • ele não tivesse compreendido que fora perdoado incondicionalmente;

• achasse que o perdão dependia de ele continuar tentando saldar o débito;

• não confiasse no caráter do rei e temesse que seu senhor mudasse de ideia e acabasse lançando-o na prisão;

• tivesse outras dívidas que não revelara;

• pelo orgulho, estivesse convencido de que poderia ter pago sua própria dívida.

 Fossem quais fossem os motivos de sua atitude, o fato é que ele era um homem livre que agia como um devedor. Fora perdoado, mas vivia como um condenado. E o rancor que abrigava, além de trazer infelicidade àqueles com quem convivia, estava destruindo-o também.

 Os Danosos Efeitos da Raiva

O Dr. Mark Rivera explica como a raiva atua em nossa mente. Assim que achamos que alguém nos deve alguma coisa, tentamos cobrar a dívida. E, em pensamento, lançamos aquele devedor no cárcere. Tornamo-nos carcereiros de tal indivíduo, detentores das chaves que podem mantê-lo preso ou libertá-lo. Se não o soltarmos, também nos tornaremos prisioneiros.

Observemos a psicodinâmica que ilustra essa verdade. Veremos que a solução do conflito não vem com a vingança, mas com o perdão e o amor.

 As Consequências da Ira de Deus

David Seamands é um pastor metodista, professor de seminário e ex-missionário, que tem escrito livros excelentes acerca do perdão e da cura interior. Comentando essa parábola,1 ele chama atenção para o versículo 34, tal como aparece na tradução inglesa “Versão Autorizada”: “E o rei ficou irado, e o entregou a torturadores até que lhe pagasse tudo que devia” (Mt 18.34).

Naturalmente, os torturadores citados na história eram os guardas da prisão, que atormentavam os presos e os afligiam duramente. O Pastor Seamands explica que, quando nos negamos a perdoar a outros, passamos a sofrer com o que ele chama de “torturadores ocultos”, que assumem a forma de enfermidades, sentimentos de culpa, distúrbios mentais, autodepreciação, insônia, distúrbios alimentares, dependência de drogas, condutas autodestrutivas e conflitos pessoais, para citar apenas alguns.2

depois de já havermos recebido o perdão! Jesus está ensinando aí que se nos recusarmos a perdoar, perderemos a liberdade que recebemos de Deus (Mt 18.21-35). Acabaremos adoecendo, ficaremos deprimidos, isolados e infelizes.

E as palavras com que Jesus encerra a parábola são aterradoras: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”.

Pior do que Imaginamos

Além dos “torturadores” que criamos para nós mesmos e que destroem nossa saúde emocional, espiritual e física, precisamos levar em conta também o fato de que os maus espíritos podem aproveitar-se da situação. Quando perdemos controle de alguma faceta de nosso ser, estamos dando a Satanás a oportunidade de controlá-lo. O Dr. Mark I. Bubeck, autor dos livros The Adversary (O inimigo), Overcoming the Adversary (Derrotando o inimigo), e The Satanic Revival (O avivamento satânico), todos eles acerca da guerra espiritual, ensina que infelizmente o crente pode ser influenciado por maus espíritos. Empregando a clássica ilustração dos círculos concêntricos para representar o corpo, alma e espírito, ele demonstra como os demônios podem afligir nosso corpo e personalidade. Se Cristo estiver habitando em nosso espírito, Satanás não terá acesso a essa parte de nosso ser. Mas ele pode escravizar-nos a determinados pecados no âmbito da mente e do corpo.

É extremamente arriscado guardar no coração raiva, mágoa, rancor e amargura. Quem o faz pode estar se expondo mais do que imagina. E pode até vir a precisar do auxílio de conselheiros profissionais para se livrar do cativeiro satânico.

Para Reflexão

David Seamands sugere que façamos quatro testes para descobrirmos se estamos ou não sofrendo com torturadores ocultos.

1. O teste do ressentimento. Existe alguém contra quem temos um ressentimento consciente?

2. O teste da culpa. Quando erramos, estamos sempre culpando outra pessoa, ainda que inconscientemente?

3. O teste da reação. Reagimos de determinadas formas para com certas pessoas pelo fato de elas nos lembrarem de outras?

4. O teste da reconciliação. Estamos dispostos a deixar que Deus mude nosso coração, levando-nos a nos reconciliar com a pessoa com quem temos problema?

O perdão pode representar a cura de muitos distúrbios, mas não basta sabermos disso. Precisamos perdoar, e fazê-lo o mais rápido possível.

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Autor: George Foster

Fonte: O Poder Restaurador do Perdão

 

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