Devemos Aceitar os “Defeitos” de Nosso Cônjuge

Mesmo com o alto índice de divórcio em nosso país, o casamento ainda faz parte dos planos da grande maioria das pessoas. Muitos ainda sonham com o momento em que encontrarão alguém especial, com quem passarão o restante de suas vidas. E muitos, realmente, encontram este momento. Mas, com o passar dos dias, percebem que o casamento não se tornou tão lindo como o planejado. As crises surgem, e com elas, a decepção com o casamento ou com o próprio cônjuge.

Hoje abordaremos um assunto que pode ser considerado o “pivô” das separações, a saber, o “defeito do outro”.

O artigo abaixo é de Rob Parsons. Rob, além de autor de vários livros, é conferencista internacionalmente conhecido na área de relacionamento e vida familiar. O assunto abordado é  uma das metas estabelecidas por ele para se obter realização na vida conjugal.

Este texto é sugerido à todos os que são casados ou pretendem se casar um dia!

Uma ótima leitura à você que ama e acredita no casamento!

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Aceitar os “Defeitos” do Cônjuge

A primeira vez que vi uma dessas propagandas que prometem “mudar” nossa vida – no meu caso, um livro – eu tinha doze anos e era bem franzino. Aos quase quatorze, ainda franzino, consegui economizar o dinheiro suficiente para adquirir o volume. Depois esperei doze dias para que a encomenda chegasse pelo correio. Ela chegou numa quarta-feira. Eu não podia nem pensar em abrir aquele pacote na frente de meus familiares, então corri para o quarto. O conteúdo não era tão grande quanto a embalagem parecia indicar, todavia continha o poder da promessa.

O livro tinha uma capa brilhosa, e logo na frente, a foto de um homem. O nome dele era Charles Atlas. Ele prometia que, se eu seguisse seu dinâmico programa exclusivo de ginástica, os grandalhões da praia iriam parar de jogar areia no meu rosto e, além disso, seria impossível ficar cinco minutos na praia sem chover de garotas em volta de mim. E eu desejava ardentemente que isso acontecesse.

Agora, quando me lembro de que me levantava religiosamente às seis da manhã e me submetia a todas aquelas contorções corporais, tenho vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo. Prometeram que eu veria a diferença em apenas dez dias. E realmente vi. No nono dia, quando trabalhava um dos músculos do ombro, tive um torcicolo. Fui obrigado a usar uma proteção em volta do pescoço durante todo o verão e a andar um mês com a cabeça torta. Quando me deitava na praia, tinha de apoiar a cabeça sobre várias toalhas. Era digno de pena. Ninguém jogava areia no meu rosto e nenhuma garota chegou perto de mim.

Nós até podemos achar engraçado isso – um garoto tentar se transformar, para ser algo que ele realmente não é. Contudo muitas vezes também tentamos fazer isso com aqueles que amamos.

A carta que transcrevo a seguir é sem dúvida uma das mais emocionantes que eu já recebi. Ela diz assim:

“Meu pai ficou muito desapontado quando nasci. Ele queria um filho, e não uma filha. Ele nunca me abraçou, nunca me elogiou e nunca me amou. Eu compreendo que ele é um produto da geração dele e já lhe perdoei. Entretanto minha auto-estima é muito baixa. Estou sempre deprimida e tenho muito sentimento de culpa. Tenho oitenta e cinco anos.”

Já pensei muito sobre essa mulher. Imagino-a, quando criança, chegando em casa correndo, trazendo seus desenhos para mostrar ao pai. Quando adolescente, tentando de tudo para agradar ao pai. E quando mulher, escolhendo a carreira que o pai aprovaria. Ela se esforçou muito para obter o amor do pai, mas não conseguiu. A única forma de contentar o pai seria transformar-se em algo que ela não podia ser.

É extremamente exaustivo viver sob esse tipo de pressão. Outras pessoas devem ter amado aquela jovem. Outras podem tê-la elogiado. Entretanto a única que ela queria que fizesse isso não o fez. E ela se sentia acossada pela rejeição do pai. Isso a atormentava quando criança na escola, e depois, quando adulta. Mesmo após a morte dele era como se o fantasma dele ainda estivesse atrás dela. O pai está sempre junto dela. Ainda agora, que ela está próxima da morte, ele ainda espera que a filha seja algo que ela nunca poderá ser.

O mesmo pode acontecer no casamento. Conheço muita gente que olha para outras pessoas e deseja que seu cônjuge seja igual a elas. E comentam:

“Ah, se o Jim fosse pelo menos um pouco igual ao Steve.”

“Você tem sorte de ter uma esposa como a Vicky.”

Em alguns casos, é o aspecto físico do cônjuge que eles gostariam que fosse diferente. Uma das cenas mais tristes que vi na televisão foi a de uma mulher que era casada com um cirurgião plástico. Ela já havia se submetido a dez cirurgias plásticas para satisfazer ao marido. E ela sorria confiantemente ao dizer:

“Ele nunca vai me abandonar. Se ele se cansar do meu visual, pode modificá-lo.”

Mudar pode ser algo muito positivo. Todos nós queremos que nosso cônjuge mude em alguma área. O problema se complica, porém, quando queremos que ele seja de um modo que não pode ser. Reconheço que, se nosso cônjuge fosse exatamente como queremos que ele ou ela seja, seria mais fácil amá-lo. Contudo, se quisermos que nosso relacionamento sobreviva, temos de cultivar outro tipo de amor. Temos de aprender a amar, não apenas “por causa de”, mas “apesar de”.

Nossa grande dificuldade é esta: vivemos em uma sociedade que não sabe mais amar dessa forma. Tudo à nossa volta está gritando para nós:

“Você merece algo melhor!”

E o pior é que estamos acreditando nisso.

Todos ficamos a pensar no ideal de pessoa que, achamos, nos daria plena felicidade. Se ele ou ela fosse mais magro ou mais gordo, ou mais inteligente, ou mais forte, ou tratasse melhor as crianças… Talvez alguém queira que seu cônjuge seja mais atraente, engraçado, que controle bem as finanças, que cozinhe bem, que conserte tudo e que seja um atleta sexual. Contudo aquele ou aquela com quem estamos casados não pode ser tudo isso ao mesmo tempo. E quando pensamos demais no modo como gostaríamos que nosso companheiro fosse, geralmente nos esquecemos de apreciar o que ele realmente é para nós.

Muitas vezes, depois que um casamento acaba, os cônjuges relembram o passado e começam a pensar:

“Pra que fui me importar com aquelas ninharias, sendo que ele era carinhoso e estava sempre me dando apoio?”

“Por que o número do vestido dela era mais importante para mim do que ela mesma?”

Talvez devêssemos considerar o que G. K. Chesterton disse:

“A melhor motivação para amarmos alguém é compreender que podemos perdê-lo.”

Autor: Rob Parsons

Fonte: 60 Minutos Para Renovar Seu Casamento

 

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A Velha Cruz e A Nova – A. W. Tozer

A. W. Tozer e Suas Mensagens Sempre Atuais!

A. W. Tozer nasceu na Pensilvânia, no final do século 19. Conhecido e considerado um grande pensador, e além disto, alguém que contribuiu grandemente para a literatura cristã.

Mesmo nunca frequentando um seminário, Tozer era um grande estudioso da Bíblia, e seu conhecimento e vivência da Palavra, lhe rendeu conteúdo para escrever mais de 40 livros.

Falecido em 1963, este grande pastor, pelo que podemos ler no artigo abaixo, pode vivenciar algo que muito temos vivido em nossos  dias, a saber, a pregação de um evangelho “defeituoso”. 

Será que temos vivido e pregado o antigo (porém atual) Evangelho da Cruz? Ou temos moldado as verdades bíblicas à novos conceitos deste século?

Na postagem de hoje veremos um paralelo entre; A VELHA CRUZ E A NOVA .  Este é um artigo antigo, mas ao lê-lo, sentirá que seu autor ainda está entre nós, vivendo cada momento das igrejas de nosso país! Uma ótima leitura!

A Velha Cruz e A Nova

O evangelismo de confrontos amistosos entre os caminhos de Deus e os do homem falsifica as Boas-Novas e apresenta ao mundo uma nova cruz, sem ação e sem poder.

Sem fazer-se anunciar, e em grande parte despercebida, entrou nos meios evangélicos populares uma nova cruz. Parece-se com a velha cruz, porém é diferente: as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.

Dessa nova cruz nasceu uma nova filosofia de vida cristã; dessa nova filosofia, uma nova técnica evangélica: um novo tipo de reunião e de pregação do evangelho. Esse novo evangelismo emprega a mesma linguagem do antigo; seu teor, porém, não é mais o mesmo, e sua ênfase também difere da anterior.

A velha cruz não transigia com o mundo. Constituía o fim da linha para a altiva carne de Adão, ao executar a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não tem qualquer conflito com a raça humana; antes, é considerada bem camarada. E fonte de abundância de divertimento sadio e prazeres inocentes. Deixa o nosso Adão viver sem opor-lhe obstáculo, sem modificar-lhe a razão de viver. Ele continua vivendo para seus interesses egoístas, com a diferença de que, agora, em lugar de entoar canções indecentes e tomar bebidas fortes, se deleita em cantar corinhos e assistir a filmes religiosos. A motivação continua sendo o divertimento, embora o prazer, agora, esteja em plano moralmente mais elevado.

A nova cruz dá preferência a uma orientação inteiramente diferente. O evangelista já não exige o abandono da velha vida para que se possa receber a vida nova. Não prega os contrastes, e, sim, as semelhanças. Procura adaptar-se ao gosto do público, insinuando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis, e dizendo que, pelo contrário, ele oferece as mesmas coisas que o mundo, só que em nível mais elevado. Tudo que o mundo em seu pecado e insensatez esteja procurando no momento, é exatamente o que procuram provar que o evangelho oferece, com a diferença de o produto religioso ser melhor.

A nova cruz não aniquila o pecador: dá-lhe nova orientação. Entrosa-o com um modo de vida mais limpo e divertido. Poupa-lhe o amor próprio. Ao indivíduo que gosta de se impor, diz: “Venha impor-se para Cristo.” Ao jactancioso diz: “Venha vangloriar-se no Senhor.” Aos que gostam de emocionalismo diz: “Venha gozar as emoções da comunhão cristã.” A mensagem cristã é adaptada aos modismos do momento, a fim de torná-la aceitável ao público.

Pode ser bem intencionada a filosofia em que se baseia essa orientação, porém as boas intenções não a tornam menos falsa. É falsa porque é cega. Foge completamente ao verdadeiro sentido da cruz.

A velha cruz é símbolo de morte. Representa o fim abrupto e violento da criatura humana. No tempo dos romanos, o homem que tomava sua cruz e partia estrada fora já tinha dado adeus aos amigos. Não pensava voltar. Não partia para reorientar sua vida, mas para vê-Ia liquidada. A cruz não transigia; nada modificava, nada poupava: acabava com o homem, completa e permanentemente. Não se esforçava para manter boas relações com sua vítima: atacava de rijo e sem misericórdia; terminado seu trabalho, o homem não existia mais.

A raça adâmica está sob sentença de morte. Não há esperança de atenuação de pena, nem por onde fugir. Deus não pode aprovar nenhum fruto do pecado, por mais inocente ou belo que pareça aos olhos humanos. Deus recupera o homem liquidando-o, para então ressuscitá-lo em “novidade de vida”.

O evangelismo que apresenta confrontos amistosos entre os caminhos de Deus e as veredas dos homens, falsifica o ensino bíblico e demonstra falta de amor ao pecador. A fé cristã não segue o mesmo caminho que o mundo; vai em direção oposta. Ao chegarmo-nos a Cristo, não elevamos nossa velha vida para um plano superior: deixamo-la na cruz. O grão de trigo precisa cair na terra e morrer.

Quem prega o evangelho, não pode se imaginar agente de relações públicas enviado para estabelecer a boa vontade entre Cristo e o mundo. Não somos encarregados de tornar Cristo aceitável ao alto comércio, à imprensa, ao mundo esportivo ou à cultura moderna. Não somos diplomatas e sim profetas; a mensagem que nos foi entregue não é de transigência: é um ultimato.

O que Deus oferece é uma nova vida e não a velha vida melhorada. Ela brota da morte. Fica sempre do lado de lá da cruz. Quem quiser possuí-Ia há de passar sob a vara. Há de repudiar a si mesmo e aceitar a justa sentença divina contra si.

Em termos práticos, o que significa isso para o pecador que quer encontrar a vida em Cristo Jesus? Significa simplesmente que ele precisa de arrepender-se e confiar. Tem que abandonar seus pecados e parar de tentar defender-se. Não ocultar cousa alguma: nada de justificativas nem desculpas. É preciso que o pecador não procure impor condições a Deus; antes curve a cabeça diante do desagrado divino e se reconheça digno de morte.

Se você já fez tudo isso, contemple agora com confiança singela o Salvador ressurreto, pois que dele virá vida, renascimento, purificação e poder. A cruz que pôs fim à vida terrestre de Jesus, agora faz morrer o pecador; e o poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, agora o ressuscita para uma nova vida junto de Cristo.

Aqueles que têm objeções a esta mensagem, considerando-a questão de ponto de vista ou interpretação pessoal, devem lembrar-se de que ela vem recebendo a aprovação divina desde o tempo de Paulo até o presente. Quer exposta nesses termos exatos ou não, tem sido esse, através dos séculos, o teor da pregação que vem trazendo vida e poder ao mundo. Os místicos, os reformadores, os avalistas têm dado ênfase a esse aspecto da verdade, e o testemunho da aprovação de Deus tem sido os sinais, as maravilhas e operação do Espírito Santo.

Caberia a nós, herdeiros de semelhante legado de poder, bulir com a verdade? Ousaríamos tomar de nossos toquinhos de lápis para alterar a planta ou modificar o modelo que nos foi mostrado no monte? De modo nenhum! Preguemos a velha cruz e conheceremos o velho poder.

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Autor: A. W. Tozer

Fonte: Mensagem da Cruz

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Quem Precisa de Deus? Jeremias MacAuley X John Wesley

Um Homem Perverso e Um Homem Bom

Jeremias MacAuley 

Era um homem perverso. Era ladrão, blasfemo, beberrão, um rejeitado da sociedade e, por fim recluso de penitenciária. Certa noite em sua cela Jeremias voltou-se para Deus: confessou seus pecados, confiou em Jesus Cristo para a salvação e foi transformado de um momento para outro. Mais tarde tornou-se missionário aos abandonados e marginais de Nova Iorque. Ninguém senão o Senhor Jesus podia ter socorrido um homem como Jeremias MacAuley.

João Wesley

Era um homem bom. Teve a bênção de um excelente lar. Sua mãe ensinava os filhos a lerem a Bíblia e a orarem. Seu pai, seu avô e seu bisavô foram pastores evangélicos. João assistia à igreja com assiduidade e se orgulhava de ser “melhor” do que a maioria dos homens. Orava, lia com regularidade sua Bíblia, chegou mesmo a organizar reuniões de oração quando era estudante. Foi ordenado ao ministério e tornou-se missionário aos índios americanos. Entretanto João Wesley jamais havia nascido de novo, mesmo com toda sua bondade. Havia em sua vida um vazio; ele “procurava alguma cousa.” Certa noite na Inglaterra, João encontrou aquilo que seu coração anelava. “Senti que confiei em Cristo somente para salvação; recebi a convicção de que Ele removera meus pecados, sim meus, e me salvara da lei do pecado e da morte.” Verificara que gente boa também precisa da experiência do Novo Nascimento à qual se refere o capítulo três do Evangelho de João – tanto quanto os maus.

Mensagem da Cruz, 1966.

 

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