A Noiva Estava Linda! – Ronaldo Lidório

Há um ar de desapontamento com a Igreja em nosso país. Ouço vozes esmorecidas e vejo olhares que não brilham mais. É o desencanto com a Noiva.

Noto que a desilusão vem pela tristeza ao ver cenários onde o louvor e a pregação se transformam em fonte de lucro e não conseqüência de corações transbordantes. Pela proliferação de igrejas cada vez mais cheias, porém aparentemente tão vazias, menos comprometidas com a Palavra, sem sede de santidade e paixão pelos perdidos. Segue pela  tênue  linha  que  por  vezes  parece  não distinguir  muito bem  Igreja e mundo, especialmente quando o binômio interesse e finanças se apresenta, e  ainda  pela dificuldade em identificar a Igreja de Cristo em meio aos movimentos religiosos.

O desencanto faz o povo olhar para o passado  e relembrar  os  velhos  tempos. Comenta-se sobre os pastores à antiga e dias quando a Igreja ainda via  simplesmente  na Palavra razão suficiente para  o santo ajuntamento. Tempos quando o constrangimento  por  ser crente  era   resultado  da  discriminação, porém jamais identificação com o injusto e o desonesto. Por fim suspira-se desanimado.

Em momentos assim é preciso lembrar que Jesus  jamais  perdeu o absoluto controle  sobre  a história da Igreja. Jamais foi surpreendido por coisa alguma em todos estes anos. Jamais  deixou de  ser  Senhor. Apesar das fortes cores de desalento a Noiva está sendo conduzida ao altar e o dia de brilho há de chegar.

Um amigo fez recentemente uma comparação entre a Igreja, a  Noiva,  e  nossas noivas,  nossas esposas. Levou-me a pensar no dia de meu casamento. Foi em 9 de dezembro de 1989. Já namorava Rossana há 4 anos e, apaixonados, chegamos ao grande dia. Apesar do amor e alegria pelo  dia  chegado   tudo  parecia fadado ao fracasso absoluto. As  flores foram  encomendadas  erroneamente,  a ornamentação  do  templo parecia jamais ter fim, o vestido apresentou  defeitos  de  última  hora,  a  maquilagem  transcorria   em  um quarto  apertado  e  com  incrível  agitação.  A  noiva  chorou pelos desencontros do dia. O andar de cima da  casa  de  meu  sogro  onde ela se  arrumava  tornou-se, aos meus olhos, em um pátio de guerra. Pessoas entrando e saindo apressadas, faces carregadas de ansiedade e um tom sempre apocalíptico a cada nova notícia. Ao longo dos anos percebi que os casamentos são parecidos neste ponto. A balbúrdia que cerca a noiva antecedendo seu momento de brilho é emblemática. Aos olhos do passante  que vê a  agitação  sem fim, nada parece ter esperança.

Fui para a cerimônia esperando o pior. Jamais seria possível contornar todos os imprevistos, e o impensado poderia acontecer: a noiva não estaria pronta! Enquanto pensava nisto, ali no altar, eis que ela chega. Estava linda, uma verdadeira princesa. O rosto sorridente, o caminhar lento e seguro, o vestido alvo como a neve, simplesmente perfeita . A música, a ornamentação, as palavras, tudo se encaixava. Que milagre poderia transformar um dia de caos em um momento de brilho tão belo?

As horas  de  luta, as lágrimas  derramadas, os desencontros e desalento foram  rapidamente  esquecidos e um só pensamento pairava naquele saguão: a Noiva estava linda.

Talvez vivamos hoje dias melancólicos ao visualizar a Igreja  quando manchas  e  mazelas  tentam levar nossa esperança para o cativeiro da desilusão crônica. A casa está desarrumada, o  vestido da  Noiva  não nos parece branco, há graves rumores de que ela não ficará pronta.

É, porém, em momentos assim que Deus intervém. Lava as vestes do Seu povo, levanta o caído, renova o profeta, purifica a Igreja e nos dá sonhos de alegria.

Chegará o dia, e não tarda, que seremos tomados por Jesus. Neste dia há de  se  dizer:  Eis o  Noivo, é o Senhor que conduz a Igreja. Jamais a deixou só. Como é fiel!

E creio que todos nós também pensaremos, extremamente admirados: Eis a Noiva, como está linda!

“Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou”. Apocalipse 19:7

                                                                                                                                                            – Ronaldo Lidório

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02
out 2012
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