Missões Em Termos De Fidelidade Ao Senhor – Ronaldo Lidório

Conceituando Missões Em Termos De Fidelidade Ao Senhor

A “missão” não é um processo que pode ser definido em termos de resultados, mas sim de fidelidade ao Senhor.

Não apregôo uma proclamação estéril do evangelho, entretanto necessitamos de uma urgente compreensão de que a ação missionária, na visão de Deus, não é definida em termos de resultados visíveis ou contábeis, mas sim pela postura de corações que tenham o caráter de Cristo.

Voltemos no tempo cerca de 2.000 anos, especificamente na região da Palestina, nos lugares onde Cristo passaria. Imaginemos um homem forte, vestido de peles de camelo, sandálias gastas nos pés e barbas sujas, carregando na bolsa apenas um pouco de mel. Seu nome era João Batista e ele pregava ao povo. Seus sermões eram duros, ele falava sobre o machado posto “à raiz das árvores” e a palha queimada “em fogo inextinguível”, e durante anos ele usava em seus apelos frases como “raça de víboras” (Mt 3.10; Lc 3.7,17).

De repente aparece perante o povo um outro homem. Este falava mansamente, vestia-se com simplicidade e vivia rodeado por um grupo de pessoas comuns que o seguiam. Era Jesus. Ele, ao contrário de João, vem lhes falando sobre “o evangelho” e boas-novas do reino (Mt 4.23). Sua mensagem é inusitada, pois apresenta uma forma diferente de se viver, uma forma “evangélica”. É um tipo de vida em que o marido não exerce domínio sobre sua esposa, apenas a ama; o perseguido não

odeia aqueles que o atormentam, mas ora por eles; a comunidade dos santos não organiza revoluções contra as autoridades, mesmo as ruins, antes intercede por elas. Nesse novo modo de viver, o menor é o maior; morrer é ganho; só se torna forte o que reconhece a fraqueza; anda-se duas milhas com quem exige que se ande uma; vira-se a outra face ao que fere; não há apego a este mundo, pois todos são peregrinos, a terra natal é desconhecida; a garantia é uma promessa; e só ganha a vida quem primeiro a perde.

Isso é evangelho. Ele é um recipiente dos valores de Deus para um novo povo, os “do caminho”.

É necessário entendermos que não basta falar sobre missões, não basta financiar missões e tampouco enviar missionários até aos confins da Terra. Primeiramente Deus requer de nós uma metamorfose de vida. O Senhor exige fidelidade a ele.

O evangelho nos primeiros séculos reivindicava um modo transformado de vida. Era a santidade retirada do nível apenas teológico e trazida para a realidade mais simples, diária e prática de cada dia. Quando essas verdades atingiam as multidões, então o milagre começava a acontecer. Homens corruptos paravam de roubar para devolverem até quatro vezes mais aos que haviam sido ludibriados. Mulheres adúlteras abandonavam a promiscuidade e transformavam-se instantaneamente em testemunhas. Pescadores deixavam suas redes para seguirem um Carpinteiro de Nazaré. Muitos vendiam tudo o que tinham para distribuírem entre os que nada possuíam. Milhares morriam crucificados, queimados, degolados ou serrados ao meio por se recusarem a negar o seu Senhor, o qual nunca haviam visto face a face. Perseguidores se transformavam em perseguidos, lançando-se à morte para levar a verdade de salvação aos gentios. Homens cultos escreviam cartas sobre a mensagem que liberta, mesmo estando encarcerados e prestes a morrer. Todos, com santidade de vida, levantavam-se dispostos a, se necessário fosse, abandonar tudo, repudiar a própria família e se esquecer da própria vida, tão-somente para encher a Terra da glória do Senhor. Isto é missões – a santidade constrangendo e impulsionando vidas a investirem tudo para cumprir o propósito do coração de Deus: impactar o mundo com o evangelho de transformação, criando um povo novo na Terra, para a glória do Senhor.

Se você deseja se envolver com essa obra, antes de tirar algum dinheiro do bolso, de dobrar os joelhos para interceder pelo mundo ou mesmo de se colocar perante o Senhor para ser enviado, olhe para a sua vida. Caso seja necessário, limpe a sua alma perante o Senhor, repudie o pecado, deixe-se ser transformado pelo Espírito de Deus e grave em seu coração: “Santidade ao Senhor”.

Tenho aprendido que Deus não está, nunca esteve e nunca estará disposto a usar um povo que não seja santo, independentemente dos métodos adotados. Missiólogos poderão direcionar a igreja de Cristo para uma ação impactante de expansão do reino de Deus na Terra. Teólogos poderão propor princípios necessários para permearmos a obra dentro de uma teologia bíblica. Entretanto somente homens cheios do Espírito alcançarão o mundo.

James Alivian, um obreiro indiano, comentou certa vez:

“A igreja brasileira experimenta um momento único em que tem havido um grande despertamento para a obra missionária transcultural. Vocês possuem uma oportunidade sem precedentes históricos para impactarem o mundo com o evangelho, mas não estão conseguindo fazer isso. O que está faltando?”

O que importa, basicamente, não são quantos celeiros abarrotados de missionários nós possuímos; não são nossas estratégias certeiras ou métodos infalíveis; não é nossa aceitação política e adaptabilidade cultural, mas sim quanta santidade de vida e compromisso com Jesus há em nosso meio. Não creio em despertamento missionário sem quebrantamento espiritual. A pergunta que fará diferença quando a adversidade chegar, e certamente chegará, vai ser esta: Até onde você está disposto a ir por Jesus? E somente um povo santo poderá responder a ela.

                                    – Trecho extraído do capítulo 1 do livro MISSÕES O Desafio Continua – Ronaldo Lidório

Compartilhar

12
set 2012
POSTADO POR
POSTADO EM Geral
COMENTÁRIOS 0 Comments
TAGS

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>